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Se uma gaivota viesse

por MC, em 31.03.17

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Esta é a minha Lisboa. Minha. Ganhei-a com quantos minutos a contemplei, em tantas as horas, de tantos dias, dos anos que aqui escorreram e a pintaram das minhas cores. 

 

 

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publicado às 23:43

Talvez um plátano

por MC, em 19.02.17

 

Que ideia sublime, poder vir a ser uma árvore! Uma acácia, de escandalosas flores amarelas. Uma faia, a decantar raios de sol no estio beirão. Um hibisco, uma laranjeira, uma nogueira, uma cerejeira, uma amendoeira, um cedro, um carvalho. Credo, senhores. Sempre indecisa, até na morte. 

 

 

 

 

 

 

 

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publicado às 22:02

Pessoas

por MC, em 27.01.17

A menina Isabelinha deu os primeiros passinhos hesitantes e apertou contra o peito o roupão farfalhudo de pequenos ursinhos lilases. Havia um ror de dias que não saía da cama senão para fazer um chá ou aquecer um caldinho. Soltou uma tosse funda e cavernosa que lhe escavou ainda mais o rasgo doloroso dentro do peito. Agarrou na caneca fumegante com as mãos em concha e caminhou devagar até à janela.

A chuva parara ao fim do dia e a rua recomeçava lentamente a mexer-se. A menina Isabelinha olhou lá para fora através dos quadrados envidraçados da velhinha janela de guilhotina e sorriu, agradada. Sentou-se na sua senhorinha de veludo cor de salmão e pousou a caneca no parapeito. Contemplou a rua com a propriedade de uma rainha a perscrutar os seus domínios. Por muito que pensasse, a menina Isabelinha não conseguia indicar um local no mundo inteirinho onde se sentisse melhor do que ali, sentadinha à janela, a observar as gentes do seu bairro.

A menina Isabelinha adora pessoas. A-do-ra. Mas não é assim um gostar mesmo ‘gostar’. Não é um ‘gostar’ – digamos - bonito, daqueles que transbordam de calor humano e que nos dão ímpetos fraternos de abraçar o próximo. Não é. A bem da verdade, contam-se pelos dedos de uma mão – talvez até sobrem alguns - as pessoas de quem a menina Isabelinha gosta assim, mesmo – mesmo, com o âmago a transbordar de afeição.

É mais um ‘gostar’ científico, empírico, de investigador curioso a observar o habitat natural de uma qualquer espécie exótica e estúrdia, num documentário da National Geographic. A menina Isabelinha vive perpetuamente fascinada pela natureza humana e os seus mistérios.

Dá por si a analisar, com os desvelos meticulosos de um doutorando, a forma como a D. Paulina dos correios desfila no passeio, de braço bem apertado com o bonitão do seu marido, lançando às empregadas do quiosque olhadelas fulminantes de soberba e intimidação. Deixa-a perpetuamente embaçada de perplexidade que a D. Paulina não atente, nem uma única vez, no olhar de silencioso assentimento que o seu Tó Zé troca com a ruiva vistosa do bar da travessa de cima, que com eles se cruza amiúde a caminho do trabalho.

Logo depois, saracoteia-se no passeio a Sra. D. Matilde, de salto alto na calçada portuguesa, cauda de raposa afogueada na gola do sobretudo camel, os dedos de um cor-de-rosa translúcido a segurar, delicados, a trelinha do Ricky Martin, o seu pequenino e raríssimo Skye Terrier, que o Sr. Coronel mandou vir da Escócia especialmente para ela por alturas do seu aniversário. É uma senhora muito requintada, a Sra. D. Matilde. Sai sempre à rua perfeitamente penteada e maquilhada, sem quaisquer vestígios dos frequentes hematomas que a vizinhança vislumbra quando, logo pela fresca, assoma à varanda ainda de roupão, para se assegurar de que o Sr. Coronel se desloca sem imprevistos a caminho do quartel. É muito boa pessoa, a Sra. D. Matilde – diz a menina Isabelinha de si para si - pena ser tão distraída, tão atreita a acidentes domésticos.

Assomam agora ao fundo da rua as mocinhas da fábrica dos sabonetes que despegaram às seis. Vão ao jardim do chafariz tirar selfies bonitas, emolduradas pelas flores delicadas dos sabugueiros, para semear nas redes sociais a nostalgia dos lugares improváveis, sabe-o bem a menina Isabelinha.

Os lábios abrem-se-lhe num sorriso satisfeito. Deixa-se ficar ali, aconchegada, eterna refém daquele perverso fascínio, consoladinha como um gato ao borralho.

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publicado às 22:35

Então e que tal esse 2017?

por MC, em 03.01.17

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publicado às 21:17

Natais

por MC, em 29.12.16

 

Algures numa rua de Lisboa em 1912, Joshua Benolie

 (Rua de Lisboa no Natal de 1912, foto de Joshua Benoliel)

 

 

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que se veja à mesa o meu lugar vazio

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que hão-de me lembrar de modo menos nítido

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que só uma voz me evoque a sós consigo

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que não viva já ninguém meu conhecido

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que nem vivo esteja um verso deste livro

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que terei de novo o Nada a sós comigo

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que nem o Natal terá qualquer sentido

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que o Nada retome a cor do Infinito.

David Mourão-Ferreira
 
 
 
 
 

 

 

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publicado às 22:48

Technicolor

por MC, em 27.11.16

Ficou gravado em Technicolor na minha memória o dia em que, pela primeira vez, vi um filme “a sério”- sem ser de desenhos animados – num écran de cinema. Não me lembro que filme era, mas recordo a imponência solene da sala, os lustrosos cadeirões de veludo, a luz suave dos apliques a derramar sombras oblíquas nas paredes altas.

De todas as grandezas que esmagavam a minha pequenez, as cores do filme assoberbaram-me de admiração e curiosidade por toda a eternidade da infância. Durante muito, muito tempo, acreditei que a noite tinha uma cor diferente nos outros países, lá longe, onde os filmes e os sonhos eram feitos.

Quando, poucos anos mais tarde, atravessei a fronteira pela primeira vez na vida para ir a Sevilha - grande cliché, eu sei – rezei fervorosamente para que se fizesse noite antes do regresso, mortinha que estava para apurar se a noite espanhola teria mesmo aquele azul anil e vibrante dos filmes do Condes. Não tinha.

Fiz a viagem de regresso pensativa e sorumbática, no banco de trás do Vauxhall do tio Francisco, rodeada de risos fáceis e caramelos de piñones, a rever evidências e a cismar no meu estrondoso falhanço teórico. Acordei, dormente e babada, à porta de casa. A aragem fresca da madrugada borrifou-me de espertina e lucidez.

Aninhada já na realidade imutável dos lençóis, consegui mesmo rir-me de mim própria, da minha patetice crédula de miúda simplória. Era óbvio - ÓBVIO – que a noite em Espanha não seria diferente da portuguesa: pois então não se vê logo que a Espanha é mesmo ao lado, estamos aqui coladinhos, na mesma península? Pois não é clarinho como água que a Espanha não conta?

E lá consegui acarinhar o sonho durante mais algum tempo, antes de voltar a embater de frente, uma e outra vez, com o meridiano da realidade. Ainda hoje - tantos anos depois - me sucede, por vezes, naqueles momentos de torpor mágico a seguir a um bom filme, de acreditar que sim senhor, as coisas são tal e qual como nos mostram.

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publicado às 14:47

Pavor (2)

por MC, em 11.11.16

Uma querida leitora, sabendo desta minha cisma com águas profundas, teve a infinita bondade de me enviar esta foto. Malandrona. Nem sei o que dizer. Credo. M-E-D-O.

Faz-me lembrar aquela vez (a única) há muitos anos, em que considerei (estupidamente) que talvez não fosse uma ideia assim tããooo má ir visitar o Oceanário. A coisa até nem começou a correr mal de todo, mas sucede que depois desci e fiquei petrificada na frente do tanque central, não sei exactamente por quanto tempo, porque estava muito ocupada a tentar respirar de maneira mais ou menos regular e simultaneamente a controlar o impulso avassalador de fazer xixi pelas pernas abaixo. Nem me recordo muito bem como acabei por sair de lá. Foi qualquer coisa a ver com miúdos a passarem por mim a correr e atascarem-me uma valente traulitada. Abençoada. Quando não, ainda hoje lá estava. 

 

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publicado às 22:31

Ó professora, por favor!

por MC, em 06.11.16

O dia começou há muito e parece não querer acabar. A alvorada pouco depois das sete, o acordar estremunhado e choroso, a relutância em largar a cama quentinha e o pijama de ursinhos amarelos. A rabugice a vestir, o pequeno-almoço mastigado a custo, o mano crescido a implicar logo pela fresca. A mãe, na pressa atabalhoada dos preparativos do dia, reclama razoabilidade e juízo; o pai procura eternamente as chaves do carro, a mala do portátil e o telemóvel; depois quer saber quem foi que lhe escondeu os óculos - os mesmos que equilibra artisticamente no cabelo revolto.

A primeira paragem é no emprego da mãe, alguns minutos antes das oito; depois sai o irmão, à porta da secundária às oito e vinte. Fica só ela no banco de trás, quentinho e confortável, a dormitar mais um bocadinho e a ouvir em surdina a rádio que o papá escolheu. À porta da escola desliza contrariada para o empedrado do passeio e lança um último olhar amoroso e envergonhado para o elefante de peluche semi-escondido entre os bancos, que ama desmesuradamente e sem o qual não sabe viver.

Logo de manhã há fichas de leitura e exercícios de vocabulário. A professora corrige os trabalhos de casa, faz perguntas sobre o texto, fiscaliza o aprumo da caligrafia, o asseio dos cadernos, a organização da secretária. O intervalo corre num rápido: o lanche é engolido de afogadilho, que cada momento é precioso. Há correrias, risos e zangas, salta-se ao elástico, sonha-se com os baloiços – só há dois, mais um escorrega e uma roda, para cerca de quinhentos meninos: está bem de ver que os mais pequenos nunca têm vez.

Depois há fichas de Estudo do Meio e a seguir aula de Música. Por volta do meio-dia, os meninos seguem em carreirinha ordenada e solene pela rua acima, para almoçar na escola ‘dos grandes’. O refeitório é imenso e ensurdecedor, a balbúrdia das vozes desregradas e das loiças a tinir nos tabuleiros agita e destempera os pequenitos. Regressam à sala de aula frenéticos e transpirados, as faces vermelhas e as roupas sujas.

Já o sol de outono está a poisar de mansinho nas copas das árvores e  agora é a vez do Manel no quadro. A conta arrasta-se ardósia fora, os números tortos e desalinhados como molas soltas. “Muito bem, Manel, vai lá sentar-te. Maria Inês, anda cá tu agora”, diz a professora, enquanto apaga os algarismos para escrever outro exercício. “Então, Maria Inês?”, torna ela, e procura com o olhar a razão da demora. A Maria Inês está debruçada sobre a mesa, a cabeça encostada à mochila aninhada entre os seus braços. “Não vou”, murmura como quem mastiga as palavras. “O que disseste?”, questiona a professora. E ela repete, agora num grito de revolta, com o fervor de quem atira balas: “não vou ao quadro! Não quero ir ao quadro, já disse!”

“Ó Maria Inês, que conversa é essa?” impacienta-se a professora. A criança continua imóvel, deitada sobre os braços. A agitação dos garotos dá agora lugar a um silêncio expectante. Todos os olhos estão postos nas duas protagonistas do episódio. A professora respira fundo, numa tentativa esforçada de camuflar o cansaço com uma serenidade que não sente. Caminha em direcção à mesa da gaiata, disposta a legitimar a sua autoridade com firmeza.

Mas ainda não chegou ao seu destino e já a Maria Inês se ergue e clama, olhos vermelhos e lacrimejantes, a franja empapada de transpiração, a angústia evidente a bailar-lhe na voz pequenina: “ó professora, por favor, não me obrigues a ir ao quadro! Estou tããõoo cansada! Não quero fazer mais nada hoje! Deixa-me lá estar aqui um bocadinho sossegada!”

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publicado às 17:59

Pavor

por MC, em 20.10.16

Num determinado evento cá da minha vida profissional, um palestrante propôs aos presentes uma actividade de abordagem ao estudo de um certo tema, a qual tinha como ponto de partida a verbalização imediata das sensações / emoções /ideias sentidas por cada um, perante um elenco de fotos que iam sendo apresentadas. Se me apetece falar nisto agora não é pela excentricidade da proposta - não foi sequer a primeira vez que a vi posta em prática na análise de temáticas na área da psicologia - mas sobretudo pela previsibilidade da conclusão a que acabo sempre por chegar: sou uma criatura com problemas.

Onde a maioria das pessoas acha coisas 'assim', eu invariavelmente acho coisas 'assado'. Mas não é um 'assado' em condições, apetitoso e estaladiço, do tipo que automaticamente nos unta daquela película de singularidade gostosa com que não nos importamos de ser temperados. Não. É um 'assado' chocho e desconcertante, que rapidamente resguardo na escuridão do forno, para evitar embaraços. Senão, vejamos estes exemplos: 

 

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Onde todos os olhares extasiados vêem paz, serenidade, liberdade, leveza, alegria e comunhão com a natureza, eu sinto ansiedade, angústia, opressão. Medo. 

 

E aqui: grandiosidade? Exaltação? Aventura? Silêncio? 

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Não. Sudação. Tremores. Pavor. Nheeeeeee. 

 

 

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publicado às 23:41

Acorda contrariada e aturdida. O olhar desorientado percorre a sala escurecida, ainda mergulhada no breu da noite. Os pés gelados pousam no encosto de um sofá, nas suas costas sente um calorzinho bom e aconchegante. A fonte de calor é macia e mexe-se suavemente encostada a si. Pelo vidro da janela, logo acima da sua cabeça, escorre a luz cálida do candeeiro da rua, numa perspectiva que não lhe é familiar.

Demora alguns instantes a compreender onde se encontra: na casa pequenina da avó Joana. Outra vez. Fugiram a meio da noite, esbaforidas e amedrontadas, pela rua fora, com os mais pequenos de braçado, em passo apressado, a respiração ofegante do cansaço e do medo, como malfeitoras a monte. Outra vez.

Da cozinha volteiam as palavras abafadas mas veementes da avó, o choro empastelado e fanhoso da mãe, o tilintar metálico de uma colher a bater distraidamente na chávena de chá. Mexe-se devagar para ver as horas no telemóvel e a irmã pequenita aconchega-se mais a ela, no remanso do sono. Levanta-se com delicadeza e veste em silêncio as roupas do dia anterior, penduradas nas costas de uma cadeira.

Pela porta entreaberta, observa em segredo as mulheres na cozinha. A mãe, sentada à mesa, embala o irmão bebé, que dorme um sono agitado, entrecortado de soluços. Chora baixinho e vai debitando queixumes ininteligíveis, numa articulação tolhida pela turgência ensanguentada dos lábios e pelo inchaço do nariz. A avó ralha, de pé, encostada ao fogão, a mão furiosa a rodopiar a colher no chá fumegante. “Isto não é vida, minha filha, estou fartinha do to dizer”.

A rapariga encosta-se à parede, escondida na obscuridade da madrugada. Percorre a sala com o olhar, tentando vislumbrar a mochila e – já agora – uma saída para o novelo emaranhado que é a sua vida. Gostaria de comer uma torrada, derreter o gelo dos pés com uma chávena de chá quentinho, mas não tem coragem de entrar na cozinha. Não lhe apetece enfrentar agora o rosto novamente desfigurado da mãe, não quer sentir o olhar piedoso e triste da avó.

Fecha a porta devagarinho e sai para o ar frio e cinzento da madrugada. Caminha alguns metros na direcção da paragem e estanca quando se lembra que não tem dinheiro para o autocarro. Também não tem senhas, nem o cartão da escola para almoçar, nem os livros para as aulas do dia. Todas as coisas de que precisa estão na sua casa, esquecidas na ânsia de escapar à sanha animalesca do pai. Voltar atrás não é uma opção, decide, enquanto corre o fecho do casaco até ao queixo e apressa o passo, que o caminho é longo.

Chega à escola esbaforida e encharcada pela chuva que teimou em cair, logo naquela manhã, a inaugurar o Outono. A aula já começou há muito. O professor suspende as palavras quando ela entra e todos os olhares voam para a sua figura esgazeada e patética. “Outra vez atrasada, não é verdade?”, reclama o professor. Oferece-lhe um “desculpe” sumido e distraído de quem tem mais em que pensar.

“Isto assim não pode continuar”, torna o professor. “já tens várias faltas de atraso e de material, não é verdade? E agora, pelos vistos, vais ter mais! Onde está o teu livro? Fizeste os trabalhos de casa? Anda, tira os materiais e começa a trabalhar!” A rapariga cerra os dentes com força para não deixar passar a zanga. As narinas dilatam no esforço de tentar controlar a respiração. “Olha-me este agora!”, remorde entre dentes. O professor não entendeu, mas os colegas das mesas mais próximas ouviram o seu comentário e olham-na, num misto de expectativa e reprovação. “O que foi que disseste?”, interroga o professor. “Responde-me”, insiste, perante o silêncio dela. “E olha para mim, que estou a falar contigo! Estás a ouvir? Onde está o teu livro? E o caderno? Não trazes nenhum material?”

A cada nova interpelação do professor, a raiva e a frustração atravancam-lhe a garganta como uma represa prestes a rebentar. “Ó pá, não me chateie!” dispara, com a fúria irracional de um animal acossado. O professor revida, arreliado e sentido: “Mas isso são modos? É essa a educação que a tua família te dá?”

A menção da palavra ‘família’ é um fósforo aceso no cenário de guerrilha que foi a sua noite, no carrocel desgovernado das suas emoções. “Não lhe admito que fale da minha família!”, grita-lhe com o fôlego que ainda lhe sobra. Levanta-se resoluta e ofendida e caminha para a saída como rainha no exílio. “Bardamerda”, foi a última coisa que disse, antes de bater com a porta com quanta força tinha.

 

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publicado às 19:43


Este estendal é meramente um exercício de egocentrismo. É a roupa que eu estendo, quando calha.

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